“Ficar”?

“Ficar”?

Aos 11 anos, os grandes acontecimentos da minha vida continuavam sendo no ambiente escolar. Em 1999 me deparei com algumas alterações significativas. Estudei do primeiro ao quarto ano em uma escola do bairro. Na quinta série eu teria que me mudar de colégio e as opções eram oito ou oitenta. A preferência era pela renomada escola Aggêo Pereira do Amaral, uma instituição pública muito valorizada – muito em função de uma excelente direção. Porém, não era somente eu que queria entrar lá. Sendo assim, precisei fazer uma prova classificatória para ingressar naquele ano. Era ser aprovado ou então ir para a Escolástica Rosa de Almeida, opção não muito benquista pelos meus pais.

Eram três vagas para 15 candidatos. Entre os aprovados estavam o Fabrízio, um moleque robusto nerd que aos 11 anos já arrebentava no inglês e Guilherme, que futuramente seria o galanteador da sala e eu. Me lembro que havia uma regra besta de quem usasse mochila continuaria sendo o infantil da quarta série, a moda era caderno de 10 matérias ou fichário.

Mais uma novidade fora incluída: os flertes. Sim, aos 11 anos percebi que apenas gostar de desenhos animados não era o suficiente. Alguns garotos, e claro, a maioria das meninas (sempre mais maduras) já começavam a se entreolhar e escolher quem seria o par para “ficar” durante o ano. Aliás, curiosamente este termo “ficar” (que não é nem namorar  e nem ser só amigos) começou nessa época (1999). “Ficar” nada mais é que dar umas beijocas sem compromisso, fazer umas carícias e tchau. Enfim, o que eu tinha plena certeza era de que “ficar” naquele ano seria a última coisa que eu ia fazer.

Na minha cabeça era impensável chegar em alguma garota. E se isso era algo inalcançável e eu parti para aproveitar o que me restou da infância. Me diverti muito jogando bola nas aulas de educação física, me mantive firme na ideia de clube do bolinha (mulheres pra lá, homens pra cá) e no mais, estudei para jamais ficar com notas vermelhas.

As novidades escolares não paravam. Português, matemática e estudos sociais com único professor se transformaram em diversas matérias (português, matemática, inglês, biologia, química, física, educação artística e educação física). Um choque, que ao longo do ano foi sendo amenizado. Afinal, a dificuldade não era só minha e os docentes sabiam disso.

1999 não foi só escola. Neste ano eu também comecei a frequentar a igreja com mais afinco. Era um pequeno espaço alugado no meu bairro em que minha mãe adorava ir, levava minha irmã e eu. Mal sabia eu que aquelas idas me transformariam em alguém completamente longe das bebidas, drogas e caminhos tortuosos que a juventude normalmente oferece. Mas longe do pecado eu sei que jamais fiquei. Essa praga está impregnada na gente.

A paixão pelo futebol aumentou substancialmente quando o Corinthians foi campeão paulista e brasileiro. Foi complicado também, pois tivemos que ver o Palmeiras conquistar a Taça Libertadores. Sem dúvida foi o primeiro gosto amargo que esta rivalidade me trouxe.

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Marcelinho Carioca, na comemoração do título do Campeonato Brasileiro de 1999 (Foto: Evelson de Freitas/Folha imagem)

Não tem como reclamar de um ano em que minhas preocupações se limitavam em jogar vídeo game, bola na rua e brincar de esconde-esconde. O último ano antes de virar o milênio foi, sim, muito agradável.

 

 

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France 98 – parte II

France 98 – parte II

32 seleções, 64 jogos e 171 gols.

De 10 de junho a 12 de julho de 1998 o mundo parou para acompanhar a copa mais foda no quesito “jogos inesquecíveis”. As opções são tantas que com certeza irei cometer a injustiça de deixar alguns exemplos de fora. Mas vamos lá, sem demora vou exibir abaixo alguns dos mais memoráveis momentos daquele torneio.

  •  FASE DE GRUPOS

BRASIL 2X1 ESCÓCIA

Era a abertura da copa. E como manda o figurino: jogo de estreia é sempre muito nervoso. Porém, a seleção brasileira foi logo tratando de acalmar os ânimos. Aos 4 minutos do primeiro tempo Cesar Sampaio abriu o placar. Ainda na primeira etapa Collins de pênalti empatou para os escoceses. A partida seguia complicada, até que Dunga fez um lançamento longo buscando Cafu que chutou em direção ao gol, a bola bateu no goleiro e no zagueiro Boyd morrendo no fundo da rede. O Brasil de Ronaldo, Rivaldo e Bebeto conseguiu com certa dificuldade, é verdade, vencer a partida de estreia.

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Cafu celebrando o gol da suada vitória sobre os escoceses (Imagem: Jeff J. Mitchell – Reuters)

 

CHILE 2X2 ITÁLIA

Os italianos eram os favoritos, mas não contavam com uma tarde inspirada de Marcelo Salas. Vieri abriu o placar com uma assistência magnifica de Roberto Baggio. Salas de cabeça empatou e no segundo tempo ele mesmo virou a partida. O momento mais emblemático estava reservado para o final do jogo. Pênalti: Roberto Baggio na bola – aquele mesmo que chutou longe a esperança italiana de título na final da copa de 94 – estava de novo na marca da cal. Desta vez ele converteu e empatou aquela eletrizante batalha. Mais do que isso, amenizou o trauma eterno do pênalti da copa anterior.

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Momento histórico do gol de pênalti de Roberto Baggio.  (Imagem retirada do Google)

 

NIGÉRIA 3X2 ESPANHA

Um jogo recheado de craques pela primeira fase do grupo D. No lado nigeriano Okocha, Ikpeba, Finidi George e Yekini enfrentavam a fúria com Hierro, Raul e Luis Enrique. A partida terminou 3×2 para os africanos com direito a falha do goleiro espanhol Zubizarreta. O terceiro gol foi um chutaço de Sunday Oliseh  e este não foi o único belo gol da partida, Raul também pegou um voleio maravilhoso no primeiro gol espanhol.

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Momento do gol da vitória nigeriana marcado por Sunday Oliseh (Imagem: Remy de la Mauviniere)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ALEMANHA 2X2 IUGOSLÁVIA

Os alemães liderados por Klinsmann e Bierhoff pegavam no grupo F o estrelado time da Iugoslávia com  Mihajlovic, Stojkovic, Stankovic e Kovacevic. O combate foi tão equilibrado que o placar não podia ser outro. Os iugoslavos abriram 2×0, mas os incansáveis tri-campeões (na época) buscaram o empate. O destaque negativo ficou para Kopke, goleiro da Alemanha que falhou feio no gol adversário e o bisonho gol contra de Mihajlovic. No mais, um jogão digno de duas fortíssimas representantes europeias.

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Alemanha e Iugoslávia fizeram uma partida muito disputada em Lens. (Imagem retirada do Google)

 

PARAGUAI 3X1 NIGÉRIA

A já classificada Nigéria encontrou um Paraguai muito afim de jogar bola. Os sul-americanos comandados pelo folclórico goleiro Chilavert tinham empatado as duas partidas anteriores contra Bulgária e Espanha por 0x0. Em um confronto muito movimentado o Paraguai resolveu desembestar de fazer gols. Placar final? 3×1 para os paraguaios. Gols de Ayala, Benitez e Cardozo. Oruma fez o gol de honra para os africanos que terminaram lideres do grupo D.

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Gamarra e Yekini, duas lendas do futebol reunidas numa excelente partida. (Imagem retirada do Google)

 

HOLANDA 2X2 MÉXICO

Mais um jogo espetacular da primeira fase. Os holandeses contavam com um esquadrão repleto de craques: Van der Sar, os irmão Frank e Ronald de Boer, Davids, Seedorf, Overmars, Jonk, Cocu, Bergkamp e Kluivert.  Do outro lado tinha um México muito promissor com Jorge Campos, Garcia Aspe, Blanco e Hernandez.  A Holanda abriu 2×0 com Cocu e Ronald DeBoer, até ai parecia que seria uma goleada certa dos europeus. Mas Pelaez diminuiu. E o mais incrível aconteceu aos 49 do segundo tempo, Luis Hernandez disputou a bola com Stam – um dos zagueiros mais caros da época – num lance improvável e marcou o gol mexicano levando a loucura o estádio de Geoffroy-Guichard em St. Etienne.

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O artilheiro mexicano Luis Hernandes correndo para o abraço no gol inesquecível contra a Holanda.  (Imagem retirada do Google)

 

  • OITAVAS DE FINAL

 

FRANÇA 1X0 PARAGUAI

Os anfitriões franceses, claramente favoritos, travaram uma batalha duríssima contra os paraguaios. Os goleiros Barthez e Chilavert só tinham tomado um gol na competição e justificaram isso em campo. A partida permaneceu 0 a 0 no tempo normal. A copa de 98 tinha uma peculiaridade: o “golden goal”, gol feito na prorrogação que já consumava a partida. Isso aumentou ainda mais a tensão. Os franceses com Henry, Petit, Djorkaeff, Pires, Trezeguet e companhia tinham a dura missão de atravessar um verdadeiro muro paraguaio com vários zagueiros e cabeças de área composta por Ayala, Sarabia, Arce e principalmente Gamarra, um zagueiro clássico que passou a copa inteira sem fazer nenhuma falta. Genial, monstruoso no desarme, o xerife paraguaio estava enlouquecendo o ataque francês. Até que aos 8 minutos da prorrogação. Porra! Faltavam sete minutos para os pênaltis, Blanc, zagueiro francês apareceu na área após ajeitada de Trezeguet e fuzilou Chilavert. Fuzilou também a raça e a retranca sul-americana. Desolados, os valentes paraguaios desabaram em campo. Os franceses festejavam aliviados enquanto Chilavert, o capitão da equipe, consolava um a um seus companheiros. Realmente uma partida formidável em que os franceses jamais vão esquecer a histórica entrega dos comandados do técnico brasileiro Paulo Cesar Carpeggiani.

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Momento do gol de ouro – o primeiro em copas – feito por Blanc. O goleiro Chilavert desolado reflete a expressão dos paraguaios naquela tarde em Lens.   (Imagem: Thomas Kienzle)

 

DINAMARCA 4X1 NIGÉRIA

Os nigerianos encantaram o mundo na copa anterior e em 98 não foi diferente. Após liderarem o grupo da morte, as super águias africanas encontraram pelo caminho os dinamarqueses. Os europeus vieram de um grupo relativamente mais fácil, com Arábia Saudita, Africa do Sul e França; deu a lógica e as seleções mais  fortes passaram. Dali sairia o adversário do Brasil nas quartas de final. Nigéria e Dinamarca prometiam travar um duelo equilibrado, mas as estrelas da “dinamáquina” castigaram os nigerianos. Brian Laudrup, Moller, Helveg e Sand massacraram o pobre goleiro nigeriano Rufai, que não estava num dia muito inspirado. No fim, Babangida descontou para a Nigéria.

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Oliseh, Okocha e Michael Laudrup, estrelas de um confronto surpreendente nas oitavas de final. (Imagem retirada do Google)

 

 

 HOLANDA 2X1 IUGOSLÁVIA

Confesso que foi um confronto que não assisti. Mas vou abrir a exceção aqui em relação à lembrança, pois foi um jogo espetacular. Dois timaços que se trombaram nas oitavas de final. O estádio municipal de Toulouse presenciou um jogo muito acirrado. Bergkamp abriu o placar no primeiro tempo. No início do segundo, Komljenovic empatou.  O lance capital da partida foi o pênalti perdido por Mijatovic. A oportunidade custou caro, pois Edgard Davids acertou um chutaço aos 47 minutos do segundo tempo sacramentando a dolorosa classificação holandesa.

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Davids e Mijatovic, dois personagens fundamentais na emblemática partida. (Imagem: Stu Forster /Allsport)

 

ARGENTINA (4) 2X2 (3) INGLATERRA

Curiosamente a partida mais aguardada das oitavas de final ficou na última rodada: Argentina x Inglaterra. Graças a um tropeço dos ingleses diante da Romênia, esse clássico do futebol mundial foi antecipado logo de cara na fase mata-mata. Não faltaram ingredientes para justificar a expectativa, foi um jogaço. Extremamente equilibrado, houveram alguns déjà vu como nos gols de pênaltis cobrados pelos camisa 9 Batistuta e Alan Shearer. Ainda no primeiro tempo Javier Zanetti fez para os argentinos em belíssima jogada ensaiada de falta. O garoto prodígio da Inglaterra de apenas de 18 anos, Michael Owen, recebeu passe de David Beckham e fez uma pintura. Ele partiu pra cima da zaga argentina em velocidade, deixou o zagueirão Ayala falando sozinho e meteu no ângulo do goleiro Roa, um golaço! O jogo foi tão foda que o bom moço David Beckham perdeu a cabeça e foi expulso após agredir Simeone respondendo a uma provocação do argentino malandro. Como equilíbrio pouco é bobagem as duas equipes terminaram empatadas. Resistiram a prorrogação com o angustiante gol de ouro e foram para os pênaltis. Ai meu amigo, sempre tem um personagem heroico. Apesar de Seaman pegar o pênalti de Crespo, o herói mesmo foi Roa que defendeu as cobranças de Ince e Batty.

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Momento do golaço de Michael Owen. (Imagem: Four Four Two)

 

  • QUARTAS DE FINAL

FRANÇA (4) 0x0 (3) ITÁLIA

Não precisa nem dizer muita coisa. As próprias bandeiras falam por si só: Itália (tricampeã na época) e França (donos da casa com um time fantástico). Mais uma vez os franceses sofreram. O Stade de France testemunhou um confronto épico e muito nervoso. De um lado Zidade e Djorkaeff, do outro, Del Pieiro e Vieri. Os goleiros Barthez e Pagliuca trabalharam como puderam. E pelo placar de 0x0  obviamente tiveram êxito. Roberto Baggio entrou no decorrer da partida e teve uma chance de ouro. O chute do ídolo italiano lambeu a trave adversária mas não entrou. Novamente pênaltis, a saga que tirara dos italianos o senho do tetra estava de volta. Lizarazu parou em Pagliuca e Albertini parou em Barthez. Os demais acertaram suas cobranças: Zidane, Trezeguet, Henry e Blanc pela França e Roberto Baggio, Costacurta e Vieri pela Itália. O pesadelo ficou para Di Biagio. O camisa 14 italiano bateu o penal com força e deixou o travessão balançando em Saint-Denis para alegria dos franceses.

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Di Biagio caído após o pênalti perdido diante dos extasiados jogadores da França (Imagem retirada do Google)

 

BRASIL 3X2 DINAMARCA 

Este foi mais um jogo que carimbou a copa de 98 como a competição dos jogaços. A respeitada seleção brasileira que tinha de Taffarel a Ronaldo craques incontestáveis em seu plantel pegou a forte seleção dinamarquesa liderada pelo craque Michael Laudrup. O jogo mal começou e a dinamáquina surpreendeu o Brasil com uma falta rapidamente batida. Jorgensen abriu o placar. Pouco depois Bebeto recebeu belo passe de Ronaldo e empatou. Rivaldo virou o jogo com toque magistral de cavadinha. A partida não estava nada fácil e a Dinamarca em momento de pressão contou com uma furada ridícula de Roberto Carlos, o lateral foi tentar uma bicicleta para afastar a pelota, sem sucesso, a bola sobrou no pé de Brian Laudrup que estufou a rede sem misericórdia. Porém, aquela tarde/noite em Nantes pertencia a um jogador: Rivaldo. O meia acertou um lindo chute no canto esquerdo de Schmeichel e definiu o placar. Corajosos, os dinamarqueses tentaram até o final e ainda conseguiram cabecear uma bola no travessão de Taffarel. Definitivamente aquela foi uma partida inesquecível para os dois países.

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Rivaldo no momento do arremate do gol da vitória. (Imagem: FIFA TV)

 

HOLANDA 2X1 ARGENTINA

Mais um espetáculo. A Argentina realmente só pegou pedreiras na fase mata-mata. Após batalha duríssima contra os ingleses era hora de enfrentar a poderosa laranja mecânica. Kluivert aos 12 minutos do primeiro tempo abriu o placar. Claudio Lopez diminuiu. A partida estava frenética: Batistuta e Veron tentavam de um lado, Cocu e Ronald de Boer de outro. Até que o goleiro Van der Sar provocou o meia Ortega que perdeu a cabeça e recebeu cartão vermelho após discussão com o holandês. A expulsão do camisa 10 claramente esfriou a Argentina que se segurava. Quando tudo se encaminhava para a prorrogação, Frank de Boer acertou um lançamento espetacular e encontrou Bergkamp, o atacante deu um drible desconcertante em Ayala e fez o gol que desmoronou os hermanos. Aliás, um golaço. Digno de um jogo sensacional como foi naquela tarde em Marselha.

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Bergkamp em seu momento mágico: lindo drible e definição perfeita para levar o estádio de Vélodrome à loucura. (Imagem retirada do Google)

 

CROÁCIA 3X0 ALEMANHA

O último confronto das quartas de final reservou a maior surpresa. A Croácia havia eliminado a Romênia com certa folga nas oitavas. Antes disso venceu Japão e Jamaica, e já classificada, perdeu para Argentina. A Alemanha por sua vez, travara um duelo mais ácido contra os mexicanos. Enfim, quando se encontraram, poucos apostavam nos croatas. O fato é que os caras do uniforme xadrez comandados por Boban atropelaram os alemães. Jarni, Vlaovic e o artilheiro Davor Suker fizeram os três gols da partida e mandaram pra casa a Alemanha de Klinsmann e Matthäus. A zebra estava pintada de branco e vermelho quadriculado e os croatas avançaram para fazer história.

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Suker e Klinsmann, o contraste do triunfo e da eliminação. (Imagem:Reuters)

 

  • SEMIFINAIS

BRASIL (4) 1X1 (2) HOLANDA

07 de julho de 1998 (aniversário do meu pai diga-se de passagem), Stade Vélodrome, Marselha. Brasil e Holanda já dispensavam qualquer introdução. Ambas eram candidatas ao título. E o jogo traduziu isso muito bem. Os lances foram muitos, tanto Taffarel quanto Van der Sar trabalharam bastante. Também, pudera! De um lado Rivaldo, Ronaldo e Bebeto, do outro Kluivert, Bergkamp e Ronald de Boer. O primeiro tempo terminou 0x0. Na segunda etapa, logo no primeiro minuto Rivaldo enfiou uma bola cirúrgica para Ronaldo, o dentuço camisa 9 guardou. A Holanda foi pra cima e aos 42 minutos do segundo tempo Kluivert subiu mais que Junior Baiano e fez de cabeça. A partida foi para o gol de ouro mais emocionante daquela copa. As duas equipes tiveram chances de matar a partida. Mas a definição daquele enredo estava reservada para os pênaltis. Pelo Brasil: Ronaldo, Rivaldo, Emerson e Dunga fizeram suas partes e bateram os pênaltis com muita eficiência. Os holandeses Bergkamp e Frank de Boer também fizeram os seus. Mas ai brilhou a estrela do pegador de pênaltis Claudio Taffarel. O goleirão brasileiro pegou as cobranças de Cocu e Ronald de Boer e assim classificou o Brasil naquele que foi um dos maiores jogos de Copa do Mundo de todos os tempos.

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Taffarel defende a última cobrança executada por Ronald de Boer e classifica o Brasil para a final. (Imagem: Epitácio Pessoa)

 

FRANÇA 2X1 CROÁCIA

França e Croácia fizeram a segunda semifinal com todos os atrativos necessários para tal importância da partida. Teve emoção, muita disputa, e o mais importante: gols. No primeiro tempo as chances não foram convertidas. Em compensação no segundo, aos 34 segundos, Asanovic deu um passe fenomenal para Suker que calou o Stade de France. O momento de euforia croata durou pouco, um minuto depois os franceses empataram com Thuram após assistência genial de Djorkaeff. Aos 24 minutos, algo muito inusitado aconteceu. Lilian Thuram, o lateral francês, fez mais um gol e se consagrou como o herói daquela semifinal. Ele nunca tinha marcado sequer um gol pela seleção francesa, mas o destino estava traçado para que ele fosse o encarregado de levar seu país à grande final. Aos guerreiros croatas, restou entrar para história como uma seleção encantadora que jamais será esquecida.

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Thuram, o herói francês no momento do gol de empate. (Imagem retirada do Google)

 

  • FINAL

FRANÇA 3X0 BRASIL

O cenário estava armado: 12 de julho de 1998, Stade de France, Saint-Denis. Os jornais anunciavam o jogo como a final do século! Brasil x França não poderia ser a final mais perfeita: o atual campeão contra os donos da casa. De um lado a seleção verde e amarela tetracampeã, do outro, a melhor geração da história da seleção francesa. Tudo parecia minuciosamente organizado. Menos uma coisa: a seleção brasileira. Horas antes da partida a CBF e Zagallo precisavam decidir se iriam escalar Edmundo ou Ronaldo. O atacante titular brasileiro havia passado mal na concentração e mesmo assim acabou indo pra partida surpreendendo a imprensa mundial. O resultado não podia ser outro. O Brasil tomou uma surra dos franceses. Zidane marcou dois gols de cabeça ainda no primeiro tempo e desestruturou os brasileiros. Era nítido o foco dos anfitriões, podia ter mais 300 minutos de futebol, eles não sairiam de lá sem  a taça. Enquanto o Brasil se perdia em nervosismo e um futebol bem apático, os “bleus” bombardeavam Taffarel. Aos 48 minutos do segundo tempo, Petit, num contra-ataque fulminante fez o terceiro e sacramentou a final de Copa do Mundo mais fácil da história. Há quem diga que foi o jogo vendido, ou que os patrocinadores obrigaram a presença de Ronaldo em campo. Bobagem! O fato é que os franceses tinham um timaço e jogaram muita bola. Anos depois todos conheceriam direitinho quem foi Zidane, Djorkaeff, Henry e companhia. Merecidamente o capitão Didier Deschamps ergueu a copa do mundo dourada e fez Paris e toda França ter uma noite alucinante. Quanto a mim, só restou agradecer à vida, por poder ter vivido experiências visuais tão formidáveis devido àquela Copa.

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Zidane foi o grande nome da final matando a partida em duas cabeçadas. (Imagem: France Football)

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Título merecido. Os franceses jogaram muito e organizaram um evento estupendo. (Imagem: Info France)

 

 

France 98

France 98

Em 1998, aquela sensação sublime da infância que me causou uma alegria absurda estava de volta. Eu nem me tocara, mas os anos se passaram e ela chegou: a tão aguardada copa do mundo. Desta vez realizada na França.

Tudo aquilo que eu tinha vivido em 1994 dava o ar da graça novamente: bandeiras, reuniões nas casas, diferentes países, jogadores internacionais e muito, mas muito futebol. Quatro anos mais velho, eu já conhecia muito mais as seleções e suas estrelas. Não me continha e novamente imitava eles jogando bola na rua e no campinho do bairro.

O evento nem tinha começado e a vizinhança toda se reuniu para pintar o asfalto e colocar bandeirinhas em torno dos postes. Impossível não lembrar daquele mascotinho: uma ave azul de cabeça e calda vermelha chamada Footix.  Uma experiência formidável para minha genuína e frugal infância.

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Footix, mascote da Copa do Mundo da França, em 1998 (Imagem: divulgação)

Me lembro de variados momentos em que eu estava pela cidade quando os jogos passaram. A abertura assisti com meu velho. O Brasil venceu a Escócia por 2×1. Os demais jogos da seleção não assisti mais em casa. O segundo jogo eu vi no meu vizinho Guilherme, a “seleça” venceu o Marrocos por 3×0. A terceira rodada entre Brasil e Noruega eu nem dei muita bola. Me lembro de ter ficado jogando gol a gol na rua e só entrava para ver quando escutava o Galvão Bueno gritando gol, perdemos por 2×1 para os gelados noruegueses. Nas oitavas de final, partida em que o Brasil venceu o Chile por 4×1 eu assisti num outro vizinho. Aliás, ali foi uma festa só. Pelo menos três famílias se reuniram e nos fizemos um agito só assistindo o jogo.

A partir das quartas de final, passei a ver os jogos na casa de um vizinho bem mais distante; ele morava no final da rua e se chamava Sergião. Brasil e Dinamarca, com vitória verde e amarela por 3×2 num jogaço de tirar o fôlego ainda contou com uma queda de energia elétrica fazendo a gente ter que ouvir parte do jogo na rádio. Na semi-final, Brasil x Holanda decidiram nos pênaltis e nós fomos à final. Aí, muita gente se lembra, até mesmo quem não acompanha muito futebol. Tomamos um sapeco dos franceses por 3×0. Existe o boato até hoje de que o Brasil vendeu a partida. Bobagem! A França tinha um timaço e mereceu levar a Copa.

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Logo da Copa do Mundo de 1998, sem dúvidas, um evento incrível (Imagem: divulgação)

Enfim, foi novamente um evento marcante pra mim, o qual lembro de outros jogos claramente como Espanha x Nigéria, Chile x Itália, Argentina x Holanda, entre outros.

No texto a seguir farei uma análise desta que foi até agora para mim a melhor copa de todos os tempos.

Traidor de novo!

Traidor de novo!

Após o exaustivo ano de 1997, as coisas se apresentaram muito promissoras no começo de 98. Eu nem fazia ideia, mas era ano de Copa do Mundo, mermão. Isso é tão sagrado pra mim que para este assunto deixarei um espaço exclusivo mais à frente.

Enfim, cheguei no último ano em que o ensino possuía quatro matérias apenas: português, matemática, estudos sociais (história e geografia) e ciências.

A melhor notícia era que eu tinha saído do martírio chamado 3ºB e voltei para a sala de origem no 4ºA. Parceiros de volta, professor novo, eu um pouco mais velho e tudo parecia se encaminhar muito bem.

Pois bem, o que estava bom podia melhorar. E melhorou. Fiz amizade com dois carinhas que moravam na “última rua” – no meu bairro tem três ruas paralelas, e nós tínhamos o costume presunçoso de dizer que morávamos na primeira rua e eles com certeza a mesma coisa. Fora isso, havia uma certa rivalidade. Dificilmente os garotos das ruas distintas se juntavam para brincar. Enfim, quebrei a regra e passei a frequentar a “última rua”.

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1998, sem dúvidas o ápice da minha infância. (Foto tirada em Sorocaba, 2015)

Eu era claramente criticado pelos garotos vizinhos. “Olha aí o vacilão que brinca com os caras lá de trás”. Sim, novamente um traidor. A primeira vez foi ao perceber que não dou a mínima para seleção brasileira (( http://bit.ly/1mosjr1 )). Mas eu não tenho culpa se os caras da última rua curtiam as mesmas coisas que eu. Pô, era futebol todo dia, de todo jeito: golzinho, três dentro três fora, rachão, vídeo game, etc.

Tinha uma rapaziada muito gente boa na minha rua: Alex, Wesley, Bruno Roberto, Guilherme, Felipão, Davi, enfim, uma galera gente fina mesmo. E lá na outra tinham uns caras muito legais também: Marcio, Robson, Robertinho, Fernando, Leandrinho, Rafael, todos sempre prontos a compartilhar muita diversão.

Como foi um ano altamente futebolístico na minha vida, as garotas simplesmente sumiram da minha visão. Aos 10 anos fui um molecote totalmente alheio a elas. Não reclamo não. Vivi a infância que se deve viver. Afinal, as coisas iam começar a mudar no ano seguinte. A temida 5ª série chegaria e eu teria que mudar de escola. Mas enquanto isso, eu poderia ficar tranquilamente curtindo este ano excepcional.

É claro que eu não podia fechar minha participação na escola Gumercindo Gonçalves sem fazer merda. Era uma época em que professores ainda eram respeitados e os bilhetes para os pais funcionavam. Eu não era um aluno terrível, mas na festa de fim de ano comecei a chutar uma garrafa pet como se fosse uma bola dentro da sala de aula. Acertei um chute magnifico, preciso, que foi exatamente na lampada. Foi um estrondo, cacos para todo lado. Óbvio que minha mãe foi chamada na direção. Me deu uma severa bronca, mas escondeu esse segredo do meu pai, quiçá, até hoje.

Em 98 vi o timão ser campeão brasileiro pela primeira vez – já que havia sido em 1990, quando eu tinha dois anos de idade.  Uma final formidável contra o Cruzeiro. O esquadrão corintiano contava com Marcelinho Carioca, Edílson, Dinei, Gamarra, Rincón. Um timaço!

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Edílson, o capetinha, rabiscando pra cima da zaga do Cruzeiro na final do campeonato brasileiro de 98 (Foto: portal ESPN)

Definitivamente, meu prazer estava nas amizades e neste esporte. Uma paixão herdada pelo meu pai. Foi um ano muito especial neste quesito, pois ali vi o primeiro título nacional do nosso time de coração, juntos. Eu era fã e admirador do seu conhecimento futebolístico. Acreditava em todos os impedimentos que ele dizia que era, concordava com seu clubismo, sofria e explodia de alegria em uma congruência que só pai e filho podem ter.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ah, Covas…

Ah, Covas…

1997 iniciara e eu estava com meu check list de vivência OK, ou quase OK pelo menos:

Infância  ✓

Amigos ✓

Novas experiências ✓

Escola ✓ ops… escola?

hummm…

Foram dois anos seguidos com a mesma turma; primeira e segunda série, aí… em 1997, iniciando o ano vejo que fizeram uma mudança nas classes e eu fui parar no 3ºB.

Puta que pariu, mano!

Os caras da panelinha estavam todos no 3ºA, que sacanagem!

Mas as mudanças não paravam por aí. O então governador do estado de São Paulo na época, Mário Covas, implantou o regime de progressão continuada nas escolas, ou seja, a tão temida chance de repetir de ano tinha ido para o espaço.

Rapaz, já vou logo dizendo que quando ouvi falar disso na TV pensei: ufa! não tem mais chance de repetir de ano, agora tá filé!

Baita engano. Eu, com nove anos na época, já estava ciente de que seria um ano mais tranquilo em relação à pressões. Dito e feito, me acomodei. Como já tinha uma certa dificuldade em matemática, sentei em cima disso, e não aprendi porra nenhuma.

A professora era uma senhora chamada Sandra, fraquinha à beça. Já em período de pré-aposentadoria não estava com muito gás pra ensinar não.

Ah! Esta foi a primeira vez que eu soube que uma menina gostava de mim. Tive essa impressão na pré-escola com uma garotinha chamada Juliana. Mas esta sim, chamada Sabrine, descaradamente dava demonstrações. Me escolheu como par na festa junina, vivia me olhando. E eu? Eu era um magrelo ranhento que só queria saber de brincar. hahaha!

97 também foi um ano cheio de problemas. Tive minha primeira briga na rua. O moleque era mais velho, chamado Fernando. Vivíamos nos estranhando até que um dia o pega aconteceu. Eu, claro, levei a pior. Tomei um muquete na testa que formou um excepcional galo. Ele saiu com as costas toda unhada e socada. Foi o que consegui baseado no personagem Vega do Street Fighter, que possuía longas garras para cortar seus adversários. Eu, bisonhamente mantinha minhas unhas compridas inspiradas nele. Patético.

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Vega, personagem espanhol do Street Fighter (Imagem: Wiki)

Só por ai já deu pra perceber que nesta época eu era um rueiro encrenqueiro. E como o rumo só poderia ser este: acabei ficando de recuperação na escola. Obrigado, governador! Se naquele ano já estava dando merda na educação, imagina o resultado a longo prazo. É por isso que atualmente o que se vê no ENEM são diversos semi-analfabetos que foram definitivamente empurrados ano a ano nesse sistema de aprovação automática. E há quem diga que o PSDB não vacila. Rá!!

Enfim, um ano que pra minha infância considero o mais conturbado. Não teve nada de histórico. O coringão levou um campeonato paulista e o Vasco desgraçou a vida do Palmeiras na final do campeonato brasileiro com o goleiro Carlos Germano pegando tudo na meta cruzmaltina. Aliás, nessa temporada o Edmundo destruiu.

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Edmundo, o animal, diante dos palmeirenses na histórica final do campeonato brasileiro de 97 (Imagem retirada do Google)

Neste ano, perdi minha vó Tereza. Uma dor bastante amarga, a primeira em relação à perda de entes próximos e queridos. Já havia perdido meus dois avôs. Um no comecinho da década de 90, meu avô paterno José e o outro, Antenor, em 94. Ou seja, só me restava viva a avó materna: a doce Carminha.

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1997, um ano de dores a novas experiências. (Foto tirada em Sorocaba, 2015)

1997 me trouxe duros aprendizados. No entanto, sobrevivi. E cá estou para compartilhar o que seria minha primeira batalha existencial: um ano todo aprendendo que viver não é mole não. Jamais vou me esquecer daquela dor de ver minha avó indo para cova e nunca vou engolir a besteira feita por Covas.

 

 

 

Saborosamente lento

Saborosamente lento

Conforme escrevi no texto anterior, 1996 foi um ano muito longo. Por conseguinte, não dá pra escrever num texto só. Então reservei aqui uma espécie de parte 2 bem especial.

Nesta época meu pai trabalhava na ZF, importante empresa do polo industrial sorocabano. Foram períodos generosos de presentes. Sempre tinha chocolate, novas fitas de vídeo game e nas datas comemorativas a vida era um show. Me lembro de ter ganho um balde de Lego. Ih! Pronto, para um molecote de imaginação fértil como a minha, um Lego era tudo que uma criança precisava. As aventuras iam além. Era desde personagens de filmes, até grandes jogos de futebol. Tudo meticulosamente montado por cores e tamanho. Nascia ali um sistemático.

Lembro-me de ter ganho um excepcional jogo de Futebol Guliver da minha querida madrinha Vera Lúcia. Aliás, nessa questão de presentes ela foi muito generosa. Foram diversos presentes. Um posto de gasolina, carrinhos, roupas, entre outros.  Jamais conseguirei ser grato a contribuição que ela deu à minha infância.

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Logo das Olimpíadas de Atlanta, em 1996. Uma pena eu não lembrar das modalidades. (divulgação)

1996 também foi o ano em que fui apresentado a outros esportes além do futebol. Surgia em minha vida um tal evento chamado Olimpíadas. Nada que se comparasse a uma Copa do Mundo, é claro. Mesmo assim foi algo marcante. Naquela ocasião os jogos aconteceram em Atlanta nos Estados Unidos, me lembro dos produtos da Coca Cola como uma bolinha de beisebol que eu tinha toda costuradinha, que claro, eu usava para jogar futebol. Me lembro de um personagem chamado Michael Johnson, um velocista americano que tinha sapatilhas douradas. Gostaria de ser um pouco mais velho para poder acompanhá-lo ao vivo. Ainda bem que existem vários registros dessa lenda.

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Michael Johnson, velocista americano medalha de ouro em Atlanta. (gettyimages)

E por falar em Michael, o Michael Jackson também embalava as músicas daquele ano. Impossível ligar o rádio e não ouvir qualquer música desta outra lenda. Ser Michael era definitivamente ser a bola da vez.

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A tal da bolinha de beisebol da Coca Cola. Mais quadrada que a bola do Kiko. (Imagem retirada do site eBay. hahaha!)

 

Confesso que não consigo me lembrar das atividades esportivas com clareza, mas jamais me esquecerei da cerimônia de encerramento com a Glória Estefan cantando “Reach”. E assim, com este som triunfal, que encerro o saborosamente lento ano de 1996 neste blog.

 

 

Tudo lindo!

Tudo lindo!

Tudo lindo!

Oi?

Sim, tudo lindo.

Já sabia como era o esquema da escola, já estava adaptado aos amigos da igreja, a rotina continuava linda com seus desenhos animados, estudo e brincadeiras de infância.

1996 caminhou com a lentidão e a elegância do ano que eu posso dizer ter sido o mais longo que vivi. Ainda não sabia nada das coisas, nem da malandragem da vida. Só sabia brincar.

Não tem como reclamar de um ano que passava na TV a série Caça talentos, as novelas Rei do gado e Salsa e merengue e teve estreias como Cocoricó na Cultura, Sai de Baixo na Globo e variados programas com a Xuxa, Sérgio Mallandro e Mara Maravilha, além é claro de Rá-tim-bum.

Digamos que 96 foi o ano em que comecei a querer um time para torcer. Claro, teve uma puta influência do meu pai. O Corinthians do Marcelinho Carioca – exímio batedor de faltas – foi o escolhido.

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Marcelinho Carioca, símbolo do Corinthians nos anos 90. Depois do meu pai, principal motivo para eu torcer pelo Timão. (Imagem retirada do Google)

Não foi uma escolha fácil. O São Paulo abriu a década com o time da era Tele Santana, o Palmeiras vinha da deslumbrante parceria com a Parmalat. Enfim, dane-se, escolhi os maloqueiros e sou feliz.

Todas as delícias deste ano estão vinculadas também ao período da escola. Minha convicção de que realmente gostava de meninas, se aflorara cada vez mais. E eu percebi que tinha uma afinidade muito grande por uma menina chamada Mariana. Mas sem chance! Era muita inocência para perder tempo paquerando. Eu queria mesmo era me divertir. E com a experiência da vivência na escola, tinha meus amigos certos, meu Super Nintendo, minhas peladas no asfalto. 96 realmente nem precisava acabar.